Antes dos seis prêmios de melhor jogadora do mundo, dos gols em Copas, das medalhas olímpicas e de ter uma premiação da FIFA batizada com seu nome, Marta Vieira da Silva era uma menina apaixonada por futebol em Dois Riachos, no interior de Alagoas. Nascida em 19 de fevereiro de 1986, ela atravessou duas décadas no mais alto nível da modalidade e, em 2026, aos 40 anos, continua em atividade pelo Orlando Pride, nos Estados Unidos.
A distância entre Dois Riachos e o topo do futebol mundial começou a ser percorrida ainda na adolescência. Aos 14 anos, Marta deixou Alagoas em busca de uma oportunidade no esporte. Sua carreira profissional começou no Brasil e ganhou projeção internacional na Europa, especialmente na Suécia, onde se consolidou como uma das principais jogadoras de sua geração.
Da Suécia para o mundo
Com o Umeå IK, Marta conquistou títulos e ampliou sua projeção internacional. Ao longo de suas passagens pelo futebol sueco, acumulou sete títulos da primeira divisão do país e conquistou a antiga Copa da UEFA Feminina com o Umeå. O desempenho na Europa ajudou a transformar a brasileira em uma estrela global.
A Copa do Mundo de 2007, disputada na China, marcou um dos pontos mais importantes dessa ascensão. O Brasil chegou pela primeira vez à final do torneio, e Marta terminou a competição com sete gols, a artilharia e a Bola de Ouro de melhor jogadora. Na semifinal contra os Estados Unidos, marcou duas vezes na vitória brasileira por 4 a 0. O título, porém, ficou com a Alemanha na decisão.
Seis vezes a melhor jogadora do mundo
O reconhecimento individual acompanhou a consolidação de Marta como referência do futebol feminino. A brasileira foi eleita pela FIFA a melhor jogadora do mundo em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018. A sequência inicial de cinco conquistas consecutivas ajudou a estabelecer seu nome como um dos mais importantes da modalidade.
Nas Copas do Mundo, Marta também construiu marcas históricas. Ela disputou seis edições e marcou 17 gols, tornando-se a maior artilheira da história da Copa do Mundo Feminina. Em 2019, tornou-se ainda a primeira jogadora a marcar em cinco edições diferentes do torneio.
Três medalhas olímpicas
Os Jogos Olímpicos formam outro capítulo central da trajetória da camisa 10. Marta conquistou medalhas de prata em Atenas 2004, Pequim 2008 e Paris 2024. Na França, em sua sexta participação olímpica, ela viveu uma campanha marcada por suspensão e retorno justamente para a final contra os Estados Unidos.
O Brasil perdeu a decisão de Paris por 1 a 0, e Marta terminou os Jogos com sua terceira prata olímpica. A competição parecia representar o encerramento de sua trajetória pela Seleção Brasileira, mas a despedida não se tornou definitiva.
O retorno para decidir outra final
Em 2025, Marta voltou à Seleção e novamente apareceu como protagonista em uma decisão. Na final da Copa América Feminina contra a Colômbia, marcou dois gols, incluindo um nos acréscimos que manteve o Brasil vivo na disputa. A Seleção conquistou o título depois de uma partida decidida nos pênaltis.
A ligação com a equipe nacional continuou em 2026. Em maio, Marta voltou a aparecer entre as convocadas do técnico Arthur Elias para amistosos contra os Estados Unidos, permanecendo no ambiente da Seleção durante o ciclo que antecede a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil.
Um novo auge nos Estados Unidos
A longevidade também marcou a trajetória de Marta nos clubes. Ela chegou ao Orlando Pride em 2017 e se tornou um dos símbolos da equipe. Em 2024, como capitã, participou da temporada mais vitoriosa do clube, que conquistou o NWSL Shield, destinado à melhor campanha da temporada regular, e o NWSL Championship.
A conquista mostrou que, perto dos 40 anos, Marta ainda ocupava papel relevante em uma equipe campeã nos Estados Unidos. Em 2026, ela permanece registrada como jogadora ativa do Orlando Pride, prolongando uma carreira profissional iniciada mais de duas décadas antes.
A vencedora do prêmio que leva seu próprio nome
O tamanho do legado de Marta ganhou uma representação incomum em 2024, quando a FIFA criou o Prêmio Marta para reconhecer anualmente o gol mais bonito do futebol feminino. Na primeira edição, a própria brasileira venceu a premiação graças a um gol marcado pela Seleção Brasileira contra a Jamaica.
A homenagem colocou o nome de Marta de maneira permanente entre as premiações da FIFA. É um reconhecimento que vai além de suas estatísticas: seis vezes melhor do mundo, 17 gols em Copas, três medalhas olímpicas e uma trajetória de títulos por clubes e pela Seleção Brasileira.
De Dois Riachos para a história
A trajetória iniciada no interior de Alagoas atravessou diferentes fases do desenvolvimento do futebol feminino. Marta começou a jogar quando as oportunidades para meninas eram muito mais limitadas e construiu sua carreira enquanto a modalidade ampliava espaço, investimento, audiência e reconhecimento internacional.
Marta tornou-se campeã, recordista, capitã e referência de diferentes gerações. Aos 40 anos, continua em atividade e carrega uma trajetória que ultrapassa seus próprios resultados em campo. Seu nome está ligado não apenas aos gols e títulos que conquistou, mas também a uma transformação maior do espaço ocupado pelas mulheres no futebol.


